Histórias Sem Fim

Cinema, Política, Cotidiano, História, Geografia, Música, Esportes, RPG e banalidades em geral... Não necessariamente nessa ordem.

Nome: Ricardo

15 Janeiro 2006

Sobre pingüins e os dois filhos de Francisco

Como vocês sabem, eu adoro cinema. Durante o curso de Jornalismo eu escrevia resenhas para um site experimental que tinha juntamente com um amigo. Agora, no blog, inauguro as “minicríticas”. Textos curtos com as minhas impressões acerca dos filmes assistidos no cinema e em DVD.

A Marcha do Imperador
Filme visto no cinema, dia 15/01/06.
Brilhantemente filmado, o documentário registra a vitória da vida contra todas as adversidades que a própria Natureza impõe à suas criaturas. Monogamia, família e companheirismo podem ser observados no comportamento das aves, o que pode causar uma certa euforia científica e católica, mas a grande mensagem do filme está na dedicação dos pingüins em perpetuar a espécie a todo custo. Mais uma vez a Natureza nos dá uma lição de vida.


Dois Filhos de Francisco
Filme visto em casa, dia 14/01/06.
Muito se falou sobre o filme que retrata a trajetória de Zezé di Camargo & Luciano, mas o resultado final é apenas razoável. A primeira hora da fita é interessante porque mostra a condição de vida da população campesina no Brasil. Faltam-lhes tudo, principalmente perspectiva de futuro. Mas depois disso o filme se torna um veículo para exaltar a dupla. Há espaço até para divulgar o banco Bradesco, um dos patrocinadores da empreitada. Os personagens se tornam caricatos demais – porque talvez sejam -, e a boa premissa se perde em meio à multidão que foi a uma casa de shows para aplaudir os cantores.

12 Janeiro 2006

Ler é a fonte do Saber.

Esta frase foi colocada como dedicatória em um presente que dei para meu amigo Tiago, o presente em questão foi um livro.
Confesso aqui que sou amante da boa música, dos jogos eletrônicos, dos bons filmes, - e até dos filmes ruins também -, gosto de esportes e do bom e velho rádio AM. Mas não há, repito, não há passatempo, hobby, ou qualquer outro nome que você queira dar que seja mais prazeroso do que a leitura. Quer seja um livro ou um periódico, desde que não esteja contaminado por idéias panfletárias e tendenciosas, o conhecimento ali contido é capaz de produzir sensação semelhante ao gozo. A experiência é sempre enriquecedora.
Tive poucos bons momentos no curso de Jornalismo, mas eles me foram esclarecedores, vejam: um brilhante professor (mais um daqueles que as UNIESQUINAS não sabem aproveitar) citou a teoria do “pensamento de manada”. Ou seja, camadas da sociedade seguindo e consumindo o mesmo ideal. Isso também é perceptível no consumo da informação: ora, as grandes corporações midiáticas exprimem aquilo que deve ser adotado como verdade; fazem suas próprias leituras econômicas, políticas e sociais e , como se ainda não bastasse, detêm quase que o monopólio de tudo o que é publicado e exibido no Brasil. Daí a influenciar a “manada” em questão é um passo – salvo aqueles que têm apurado senso crítico.
O bom livro ou periódico entra aí. Bastam algumas poucas páginas para a realidade vir à tona, às vezes, assustadora demais. Ler adiciona novas idéias à mente, abre espaço para a discussão, esclarece fatos e contrapõe argumentos. A leitura é ainda mais salutar se acompanhada da reflexão dos fatos que compõe nossa realidade, com o que está escrito. História, Geografia, Economia, Antropologia, Sociologia, são muitos os assuntos, e todos estão concatenados com a estrutura do Saber. Daí a relação com o título do post.
Hoje é mais fácil navegar nas páginas da Internet, mas ainda compensa dedicar parte do nosso tempo à aventura do conhecimento que é abrir as páginas de um livro.

“Em lugar do cidadão, formou-se um consumidor, que aceita ser chamado de usuário”, escreveu o professor Milton Santos, emérito geógrafo. E não é verdade?

07 Janeiro 2006

O fim e o início.

Para tornar este post completo precisaria contar toda a trajetória do Eterno Vestibulando. Mas como o assunto me tomou oito anos de vida e cinco cursos universitários incompletos, vou poupar-lhes de tal sofrimento. Reproduzo aqui a seqüência de tentativas acadêmicas frustradas: Direito, Turismo, Gestão Ambiental e Jornalismo. São quatro, então falta mais uma. É que na quarta-feira passada eu fui aprovado no vestibular da PUC-SP, na cadeira de Geografia.
Geografia? Sim, caro leitor. Acredito que agora, com toda a bagagem cultural que eu pude acumular nesses anos, fiz a escolha certa. A escolha do coração e da mente.
Retrocedendo na história, nos longínquos anos de ensino médio, sempre tive a Geografia em alta consideração. Tanto até que eram as minhas maiores notas e, conseqüentemente, as que eu apresentava primeiro a os meus pais. Mas não podemos tomar por base só as experiências escolares. Desde então sempre me interessei pela geografia dos países, seus dados econômicos, políticos e sociais, estatísticas populacionais, território e clima. Claro que agora, no curso universitário, estes temas serão minuciosamente aprofundados, detalhes técnicos como hidrografia, geologia, pedologia – este, para quem se assustou com o nome, é o estudo do solo -, cartografia, entre outros, deverão ser estudados com afinco. Mas eu sei, pela primeira vez, onde estou enfiando o pé.
Com mestres inspiradores como Milton Santos, Aziz ab’Saber, Anderson Christofoletti e Maria Laura Silveira, e com a crescente importância que a Geografia tem no cenário atual, em que se discute a relação cada vez mais complicada entre o homem e o espaço, prometo muita dedicação e empenho nessa nova etapa da minha vida. E como tudo na vida tem um fim, em 2006 encerra-se a saga do Eterno Vestibulando. Minhas aulas começam no dia 13 de fevereiro e não vejo a hora desse dia chegar. Para terminar, uma série de agradecimentos que não poderia deixar de fazer:

Para minha família, e em especial para minha Mãe: obrigado pela paciência e apoio durante todas as minhas equivocadas decisões anteriores. Te amo!

Para meus amigos, e em especial para o Tiago: mestre, você que passou pelo mesmo, sabe o que esta nova etapa significa para mim. E em nossa “aposta” especial, você ganhou!

E, finalmente, para minha Karina – que nesse meio tempo passou de namorada a esposa: Valeu pelo amor, paciência e compreensão em todos estes anos. Eu nunca me senti só nessa jornada porque você sempre esteve ao meu lado. Te amo!

É isso aí! Viva a Geografia!!!

02 Janeiro 2006

Minha São Silvestre - Segunda Parte

A São Silvestre, além de uma corrida, é também uma grande festa popular. Os participantes podem mandar abraços Brasil afora, podem exaltar o lugar de onde vieram. Alguns terão seus 15 minutos de fama, mas a grande maioria vai passar despercebida, o que não impede os arroubos de criatividade do pessoal.

Seguem agora alguns “causos” que registrei como testemunha ocular:

- Um clone do dublê-de-palhaço Tiririca tirava fotos com os corredores e, de quebra, aproveitava para distribuir seu cartão profissional para contatos.

- Um sósia do Osama Bin Laden – sem barba postiça - vestido em uma roupa de pregadores.

- O Incrível Hulk, que levou pouco mais de 30 minutos para se pintar inteiro de verde – ajudado por um sãopaulino.

- Um sósia do imortal Carlitos, personagem de Charles Chaplin, entretendo crianças e jovens que provavelmente jamais tiveram a oportunidade de assistir a um de seus filmes.

O que a Globo não mostra é que

Representantes de todas as classes sociais participam da corrida, cada qual com seus sonhos e aspirações. Durante aqueles 15 quilômetros todos são iguais e, muitas vezes, a vontade de se superar, de mostrar que estão vivos e existem, faz com que aqueles de origem mais humilde consigam ir além. Alguns correm descalços, com tênis velhos e cansados, sapatos, botas – talvez sejam os únicos calçados que eles dispõem. Sei de casos de pessoas que pretendem mudar de vida com o prêmio em dinheiro que essas competições distribuem.
O certo é que a vida malfazeja deles já os oferece resistência e vigor heróicos para suportar 15, 20,100 quilômetros de corrida, porque eles estão sempre aí, nas sombras, nas vielas, atrás dos balcões, marretando pela sobrevivência. E nesta prova os anônimos são os verdadeiros campeões.

01 Janeiro 2006

Minha São Silvestre - Primeira Parte

Como fora prometido, aqui está o post sobre minha epopéia na São Silvestre 2006. Irei dividi-lo em duas partes, pois o assunto é bastante extenso. Hoje vocês encontrarão o descritivo da corrida. Amanhã vou dar uma de colunista de Caras, relatando o que as câmeras da Globo não mostraram.

Largada – Consolação
De repente, o estouro da boiada. Essa é a sensação de largar no meio da galera. Atletas de fim de semana, fantasiados, senhores, jovens e casais, todos querem ganhar terreno e, se possível, mandar seus recados. O empurra-empurra foi geral e só consegui desenvolver velocidade perto da Consolação. Nesse trecho não há o que fazer é deixar a massa te levar e tomar cuidado para não tropeçar em alguém, ou em alguma coisa.

Consolação
A famosa descida da Consolação é um prato cheio para os corredores. É muito fácil deixar-se levar pela empolgação e acelerar o ritmo das passadas. Eu procurei me poupar bastante – até porque fui avisado por amigos – e vi muitas pessoas me ultrapassando. O calor era intenso e minha musculatura ainda estava travada. Acredito que tenha sido o tempo que fiquei em pé até o momento da largada. Mas foi um trecho tranqüilo e sem maiores complicações.

Av. Ipiranga – Av. São João – Elevado Costa e Silva
A passagem pelo cruzamento mais charmoso de São Paulo acontece com cerca de 3,5 Km de prova, e a aglomeração de espectadores e curiosos é intensa. O trecho até o início do “minhocão” é plano e não senti maiores dificuldades em transpô-lo. Foi a partir do 4° quilometro que meus músculos efetivamente se aqueceram e comecei a imprimir um ritmo mais constante.
O acesso ao Elevado se dá através de uma curta ladeira – a primeira da prova. Nesse ponto aqueles que saíram em desabalada carreira na Consolação, começam a pagar o preço. Estava muito, muito quente, e boa parte do trecho do “minhocão” é em aclive. Pode não parecer quando passamos de carro, mas correndo – e sob um calor de 34C° - os quase dois quilômetros parecem uma montanha intransponível. Aqui, acredito eu, tenha cometido o meu grande erro de toda a corrida. Acabei acelerando bastante o ritmo em um ponto em que deveria ter me poupado.

Av. Norma Gianotti
É o trecho que compreende a passagem pelo Memorial da América Latina até o acesso à Av. Rudge. Apesar de duas pontes ainda consegui manter o mesmo ritmo da parte anterior. Estamos na metade da prova, e muitos já começam a dar sinal de cansaço e passam a andar. Eu sabia que se parasse de correr, por menor que fosse o tempo, não conseguiria recuperar o ritmo. Aqui minha mente começou a trabalhar em um só pensamento: continuar correndo.

Av. Rudge - Av. Rio Branco
Nessa parte eu cheguei ao meu pior momento na São Silvestre. Talvez por ter acelerado onde não devesse ou pelo próprio cansaço, acreditei que meu sonho fosse terminar aqui. É um trecho composto por uma grande reta - até aonde a vista alcança - que parece não ter fim. Reduzi drasticamente meu ritmo, e a fadiga muscular começou a aparecer. Ainda estava quente e a água já não refrescava o suficiente. Muitos corredores foram me ultrapassando e decidi tomar a esquerda da pista para não mais sair de lá até o fim da prova.

Largo do Paissandu – Viaduto do Chá – Lgo. São Francisco
11°, 12° e 13° quilômetros respectivamente. É um trecho todo quebrado, com curvas e mais curvas. O esforço já era sentido por todo meu corpo. Não eram dores, mas eu estava extenuado. Por sorte corri protegido pelas sombras que os espigões daquela área proporcionam.

Av. Brigadeiro Luis Antônio
O momento esperado por todos: a temível subida da Brigadeiro. Bom, aqui não tem mais jeito, o negócio é continuar correndo porque a ladeira é inevitável para aqueles que desejam terminar a corrida. Sim, ela é íngreme; sim, eu estava esgotado; mas não a achei a pior parte da prova. Graças à providência divina. Tão logo entrei na Brigadeiro, um verdadeiro dilúvio atingiu a área. Muitos corredores levantaram as mãos para o céu agradecendo a bendita água. Eu fui um deles.

Av. Paulista – Chegada
Debaixo de chuva eu vi o meu objetivo se aproximando. Não sentia mais dores e voltei a desenvolver uma boa velocidade. Já perto da linha de chegada a chuva acalmou, dando lugar à famosa garoa paulistana. Cruzei a linha com o tempo de uma hora, 36 minutos e 24 segundos, cumpri minha promessa e entrei para a história da São Silvestre. E ainda trouxe uma bonita medalha de participação para casa.